ABC Imagem Cardiovasc. 2026; 39(3): e20260107

Pressão Arterial Elevada e Aumento do Diâmetro da Bainha do Nervo Óptico: Envolvimento Intracraniano ou Marcador Inespecífico?

Gustavo Cartaxo , Rafael Hortêncio

DOI: 10.36660/abcimg.20260107

Este Minieditorial é referido pelo Artigo de Pesquisa "Ultrassonografia do Diâmetro da Bainha do Nervo Óptico nos Estados Hipertensivos Agudos para Detecção de Repercussão Intracraniana: Uma Meta-Análise".

Os efeitos da pressão arterial elevada vão além das artérias sistêmicas

Uma emergência hipertensiva é definida pela presença de lesão aguda de órgão-alvo, e não apenas por uma medida elevada da pressão arterial. No cérebro, entretanto, a identificação desse comprometimento à beira do leito continua sendo um desafio. Cefaleia, náuseas, distúrbios visuais, convulsões e alteração do nível de consciência são manifestações clinicamente importantes, mas inespecíficas. Embora a fundoscopia tradicionalmente desempenhe um papel importante na avaliação clínica, sua confiabilidade depende de treinamento adequado, condições técnicas apropriadas e cooperação do paciente. Além disso, o papiledema pode estar ausente durante as primeiras horas de elevação da pressão intracraniana (PIC). Dentro dessa janela diagnóstica, a mensuração ultrassonográfica do diâmetro da bainha do nervo óptico (DBNO) representa uma opção atraente: é rápida, portátil e reprodutível e se baseia na continuidade anatômica entre o espaço subaracnóideo intracraniano e o compartimento peri-óptico.,

O artigo que acompanha este minieditorial apresenta a síntese mais direcionada realizada até o momento sobre os achados relativos ao DBNO em estados hipertensivos agudos. Seus resultados são consistentes com os de estudos anteriores que envolveram hipertensão aguda, pré-eclâmpsia grave e eclâmpsia.– A revisão incluiu 14 estudos, com um total de 995 participantes, predominantemente pacientes com pré-eclâmpsia ou eclâmpsia, além de um grupo consideravelmente menor de pacientes hipertensos não gestantes. Nos nove estudos com dados contínuos adequados para o agrupamento, que incluíram 426 pacientes hipertensos e 283 controles, o DBNO foi significativamente maior no grupo hipertenso, com uma grande diferença de médias padronizada (g de Hedges: 1,55; intervalo de confiança de 95% [IC 95%]: 1,06-2,04; p < 0,001). Esse não é um achado trivial: ele sugere que a associação entre hipertensão aguda e distensão da bainha do nervo óptico é suficientemente consistente para não poder ser prontamente descartada como um artefato isolado.

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Pressão Arterial Elevada e Aumento do Diâmetro da Bainha do Nervo Óptico: Envolvimento Intracraniano ou Marcador Inespecífico?

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