ABC Imagem Cardiovasc. 2026; 39(3): e20260094

Equidade e Representatividade em Imagem Cardiovascular: Um Imperativo Científico, Não Ideológico

Enzo Crispino , Julia Schettini , Antonildes Nascimento Assunção , José Arimateia Batista

DOI: 10.36660/abcimg.20260094

Resumo

A medicina cardiovascular construiu boa parte de seu conhecimento sobre coortes predominantemente brancas e masculinas, que não refletem a diversidade dos pacientes atendidos. Como consequência, valores de referência, dispositivos e algoritmos podem apresentar acurácia desigual entre grupos, o que compromete a precisão do exame. Esta revisão examina, sob a ótica da imagem cardiovascular, como a sub-representação na pesquisa se traduz em iniquidades diagnósticas. Discutimos cenários em que a representatividade altera aquilo que o método revela: a amiloidose por transtirretina associada à variante Val142Ile em idosos afrodescendentes, as manifestações cardiopulmonares da anemia falciforme e os quadros predominantes em mulheres, como a isquemia com coronárias não obstruídas e a síndrome de Takotsubo. Abordamos ainda o viés de dispositivos e algoritmos, exemplificado pela oximetria de pulso e por modelos de inteligência artificial treinados em bases pouco diversas. Por fim, propomos uma agenda centrada na representatividade das coortes normativas, na validação por subgrupo e na implementação equitativa de novas tecnologias.

Equidade e Representatividade em Imagem Cardiovascular: Um Imperativo Científico, Não Ideológico

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