ABC Imagem Cardiovasc. 2026; 39(3): e20260032

Doença Arterial Coronária Em Um Cenário Anatômico Raro: Artéria Descendente Anterior Duplicada Tipo IV

Matheus Sacco , Amanda Raquel Costa , Bruno Leal , Mario Henrique , Patricia de Souza , Daniel , Ricardo , Marinella Patrizia

DOI: 10.36660/abcimg.20260032

Introdução

As anomalias coronárias congênitas constituem um grupo heterogêneo de variações anatômicas, geralmente identificadas de forma incidental durante exames de imagem não invasivos ou procedimentos diagnósticos e terapêuticos invasivos. Estudos demonstram que cerca de 1,3% dos indivíduos submetidos à coronariografia apresentam algum tipo de anomalia coronária. Embora a maioria seja considerada benigna, algumas podem estar associadas à isquemia miocárdica, arritmias ventriculares e, em casos raros, morte súbita. É importante destacar que a coexistência com doença arterial coronária (DAC) obstrutiva pode potencializar seus efeitos clínicos.

Entre essas variações, a duplicação da artéria descendente anterior (ADA) se destaca por sua raridade e relevância diagnóstica. Conforme a classificação proposta por Spindola-Franco et al. (), essa anomalia é dividida em quatro tipos, com base na origem e no trajeto dos ramos. No tipo I, o mais frequente, as ADA curta e longa originam-se da bifurcação da ADA principal; a ADA curta percorre o sulco interventricular anterior e termina precocemente, enquanto a ADA longa segue paralelamente pelo lado ventricular esquerdo antes de convergir para o sulco distal. No tipo II, as ADA curta e longa também se originam da bifurcação da ADA principal; entretanto, a ADA longa cursa à direita do sulco interventricular anterior antes de atingir o ápice. No tipo III, a ADA longa apresenta um trajeto inicial intramiocárdico, emergindo distalmente na superfície epicárdica. Por fim, no tipo IV, o mais incomum, há uma ADA curta originada da coronária esquerda e uma ADA longa com origem anômala na artéria coronária direita (ACD) ou em seu seio de Valsalva. Esta última percorre um trajeto intrasseptal até emergir no sulco interventricular anterior e alcançar o ápice, ocorrendo em aproximadamente 0,2% dos pacientes submetidos à coronariografia.

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Doença Arterial Coronária Em Um Cenário Anatômico Raro: Artéria Descendente Anterior Duplicada Tipo IV

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