ABC Imagem Cardiovasc. 2026; 39(3): e20260089

Inteligência Artificial na Ultrassonografia de Carótidas: Onde estamos e para onde vamos?

Gustavo Paglioli , Simone Nascimento dos , Ana Claudia Gomes Pereira , Claudia Maria Vilas , Ana Cristina Lopes , Fanilda Souto

DOI: 10.36660/abcimg.20260089

Introdução

A aterosclerose carotídea constitui um importante marcador de risco cardiovascular e cerebrovascular, tradicionalmente avaliado pela ultrassonografia com foco predominante no grau de estenose luminal. Esse paradigma foi consolidado a partir de estudos clássicos que embasaram decisões terapêuticas principalmente em pacientes sintomáticos. No entanto, os avanços no conhecimento sobre a biologia da placa mostraram que a estenose, isoladamente, não explica todo o risco clínico, sobretudo em indivíduos assintomáticos ou com lesões não obstrutivas.

Nas últimas décadas, tornou-se cada vez mais evidente que a simples presença da placa, sua carga aterosclerótica e suas características morfológicas e composicionais acrescentavam informação prognóstica relevante além dos escores clínicos tradicionais. Em coortes contemporâneas, placas carotídeas pequenas, inclusive com estenoses menores que 50%, foram associadas ao aumento progressivo do risco de eventos ateroscleróticos, particularmente quando bilaterais ou acompanhadas de acometimento femoral, reforçando o conceito de aterosclerose subclínica sistêmica e multivascular. Em prevenção primária, a quantificação da carga de placa mostrou maior valor preditivo do que a espessura médio-intimal isolada, além de impactar condutas clínicas, como intensificação do uso de estatinas. Esses achados sustentam a transição de um modelo centrado apenas na hemodinâmica para outro mais abrangente, voltado à caracterização da placa e à estratificação individualizada de risco.-,,

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