ABC Imagem Cardiovasc. 2026; 39(3): e20260075

Como Eu Faço: Síndrome de Bow Hunter

Rodrigo Bahiense

DOI: 10.36660/abcimg.20260075

Resumo

A síndrome de bow hunter (SBH) é uma condição rara e subdiagnosticada, caracterizada pela compressão mecânica ou oclusão temporária da artéria vertebral devido à rotação lateral ou hiperextensão do pescoço. Esse estresse mecânico ocorre de forma predominante no segmento V3 (nível C1-C2) devido à grande mobilidade local.

A fisiopatologia envolve dois mecanismos principais: o hemodinâmico, em que a rotação extrema reduz de imediato o fluxo sanguíneo local e causa sintomas paroxísticos (tríade de vertigem, tontura e desequilíbrio) que desaparecem com o retorno da cabeça à posição neutra; e o tromboembólico, desencadeado por microtraumas repetidos e lesões crônicas no endotélio vascular, o que pode originar trombos ou dissecções e culminar em infartos cerebelares ou no tronco encefálico.

O diagnóstico definitivo baseia-se na angiografia por subtração digital (ASD) dinâmica e na angiotomografia computadorizada (AngioTC). Contudo, o Doppler vascular dinâmico atua como um excelente método não invasivo de triagem, capaz de registrar, em tempo real, variações hemodinâmicas críticas por meio de manobras posicionais, como a redução superior a 50% da velocidade de pico sistólico (VPS) ou o desaparecimento do fluxo diastólico.

A abordagem terapêutica varia conforme a gravidade. Casos leves recebem tratamento conservador, com colar cervical, modificações comportamentais e antiagregantes plaquetários. Intervenções cirúrgicas – como a descompressão por osteofitectomia ou a artrodese cervical – e tratamentos endovasculares específicos são estritamente reservados a pacientes com sintomas refratários ou alto risco de acidente vascular cerebral (AVC).

Como Eu Faço: Síndrome de Bow Hunter

Comentários

Acessar o conteúdo