ABC Imagem Cardiovasc. 2025; 38(4): e20250103
O que o Trabalho Miocárdico Oferece a Mais que o Strain?
Introdução
Na imagem cardiovascular atual, um dos métodos que apresenta significativa relevância, acrescentando informações diagnósticas e prognósticas é o Strain Longitudinal derivado do speckle-tracking com a estimativa do Strain Global Longitudinal (SGL) do ventrículo esquerdo. Porém, o SGL apesar de avaliar a deformação miocárdica global do ventrículo esquerdo é dependente de condições de carga que interferem em uma interpretação acurada de seus resultados. Nesse cenário, surge uma técnica emergente, também derivada do speckle-tracking, que é o trabalho miocárdico (myocardial work, MW). Ela apresenta como vantagem ao strain a eliminação do viés pós-carga ao incorporar a pressão arterial sistêmica ao strain longitudinal, construindo curvas pressão–strain (pressure–strain loops, PSL) ao longo do ciclo cardíaco. Com isso, por meio do MW, quantifica-se não só o quanto o miocárdio se deforma longitudinalmente, mas com qual carga ele performa essa deformação, trazendo um refinamento diagnóstico à análise da função ventricular. A metodologia deriva do trabalho de Russell et al., que validaram a área do PSL como índice não invasivo de trabalho e propuseram também o conceito de trabalho desperdiçado (wasted work) por descoordenação contrátil. Na prática, extraem-se quatro índices globais: índice global de trabalho (global work index, GWI), trabalho construtivo global (global constructive work, GCW), trabalho desperdiçado global (global wasted work, GWW) e eficiência global do trabalho (global work efficiency, GWE = GCW/[GCW+GWW]) (). Na , é possível observar os valores de normalidade para o trabalho miocárdico e seus índices provenientes do estudo Normal Reference Ranges for Echocardiography (NORRE) da European Association of Cardiovascular Imaging (EACVI).
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