ABC Imagem Cardiovasc. 2026; 39(2): e20260053

Lipoproteína(a) Elevada no Paciente sem Comorbidades: Quais Exames de Imagem Solicitar?

Eduardo Gomes , Leticia Neves Solon , Tatiane Mascarenhas Santiago , Eduardo Ferreira , Fabiana Hanna

DOI: 10.36660/abcimg.20260053

A incorporação da lipoproteína(a) [Lp(a)] à avaliação contemporânea do risco cardiovascular trouxe uma questão prática cada vez mais presente no consultório: diante de um resultado elevado, como reclassificar o risco e qual conduta adotar, já que as diretrizes recomendam sua dosagem ao menos uma vez na vida adulta e reconhecem a Lp(a) como fator modificador da interpretação do risco., Todavia, a estimativa do risco de eventos cardiovasculares preconizada pelas mesmas diretrizes, a partir de escores prognósticos, como o desenvolvido pela American Heart Association em 2023, Predicting Risk of Cardiovascular Disease EVENTs – atherosclerotic cardiovascular disease (PREVENT-ASCVD), não computa, a priori, o impacto da presença de Lp(a) elevada em sua aferição. Surge, assim, um cenário clínico tão concreto quanto desafiador, ou seja; a possibilidade de que o paciente assintomático, sem fatores de risco tradicionais, possa carregar um fator de risco biologicamente relevante que o escore não “enxerga”. Eis, pois, a questão: o que fazer com a Lp(a) elevada? Em particular, deve-se recorrer à imagem cardiovascular para refinar a estratificação?

Uma resposta razoável a tais importantes questões pressupõe uma análise da biologia e da evidência que catapultaram a Lp(a) ao seu recém-conquistado destaque no palco da chamada prevenção primária em cardiologia. Trata-se de uma partícula semelhante à lipoproteína de baixa densidade (LDL), formada por uma molécula de apolipoproteína B-100 covalentemente ligada à apolipoproteína(a), com níveis predominantemente determinados pelo gene LPA e relativa estabilidade ao longo da vida., Sua associação com doença aterosclerótica cardiovascular é sustentada por evidência epidemiológica, genética e de randomização mendeliana, o que confere à partícula um estatuto mais forte do que o de simples marcador associativo., Dados de 450.000 pacientes apontam a forte correlação linear entre níveis elevados de Lp(a) e doença aterosclerótica, com um aumento de aproximado de 11% de risco relativo a cada 50nmol/L.

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Lipoproteína(a) Elevada no Paciente sem Comorbidades: Quais Exames de Imagem Solicitar?

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