ABC Imagem Cardiovasc. 2025; 38(4): e20250066
Aneurisma da Artéria Dorsal do Pé: Diagnóstico Ultrassonográfico
Discussão
O aneurisma da artéria dorsal do pé (artéria pediosa) foi descrito pela primeira vez em 1907. Desde então, outros autores relataram esse raro tipo de aneurisma, porém suas manifestações clínicas ainda são pouco conhecidas. Com apenas 24 casos relatados na literatura até 2017, segundo Aragão et al., o aneurisma da ADP é mais comum em homens (63%) com média de idade de 55,4%. Em geral, apresenta-se como uma massa pulsátil, podendo evoluir com microembolização, hemorragia, ruptura e compressão nervosa. O exame físico geralmente apresenta uma massa pulsátil que pode causar dor, parestesia e desconforto ao caminhar ou usar calçados, queixas semelhantes às do caso aqui relatado.
A fisiopatologia desses aneurismas ainda é incerta, mas parece relacionar-se a dois tipos de mecanismo: um intrínseco, que se relaciona à fraqueza na estrutura da parede do vaso, como doenças do colágeno, as síndromes de Marfan e de Ehlers-Danlos, sífilis, diabetes, infecções, trauma, aterosclerose e fibrodisplasia, e outro extrínseco, causado por estresse mecânico da parede arterial, como nos traumas.– No entanto, de acordo com a literatura, muitos aneurismas da ADP são pseudoaneurismas e ocorrem após traumas ou lesões iatrogênicas secundárias a procedimentos ortopédicos ou vasculares. Apesar de o trauma ser uma causa de aneurisma da ADP, algumas vezes os pacientes não se lembram do evento agudo e os sintomas surgem quando apresentam compressão de estruturas locais ou eventos como embolia ou ruptura. Também há casos de traumas repetidos, de baixo impacto, que levam à degeneração aneurismática, como sapatos apertados em pacientes com arcos acentuadamente altos de forma congênita.
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