ABC Imagem Cardiovasc. 2026; 39(3): e20260097
Ultrassonografia do Diâmetro da Bainha do Nervo Óptico nos Estados Hipertensivos Agudos para Detecção de Repercussão Intracraniana: Uma Meta-Análise
Resumo
Fundamento:
A detecção de repercussão intracraniana na hipertensão aguda apoia-se classicamente na fundoscopia, método limitado à beira-leito. A ultrassonografia do diâmetro da bainha do nervo óptico (DBNO) surge como alternativa rápida e não invasiva.
Objetivo:
Sintetizar as evidências sobre o DBNO em adultos e gestantes com estados hipertensivos agudos, avaliando a diferença da medida entre grupos e seu desempenho diagnóstico para pressão intracraniana (PIC) elevada.
Métodos:
Revisão sistemática com meta-análise seguindo as diretrizes PRISMA. Três bases foram pesquisadas até julho de 2026, incluindo estudos observacionais. O desfecho primário foi a diferença de médias padronizada (g de Hedges) do DBNO entre hipertensos e controles, por modelo de efeitos aleatórios.
Resultados:
Catorze estudos (995 participantes) foram incluídos. Nove estudos (426 hipertensos e 283 controles) forneceram dados contínuos combináveis: o DBNO foi significativamente maior nos hipertensos (g = 1,55; IC 95% 1,06 a 2,04; p < 0,001; I² = 87,0%). A exclusão de um único estudo discordante reduziu a heterogeneidade e reforçou o efeito (g = 1,77; IC 95% 1,50 a 2,04; I² = 51,8%). Em cinco estudos com contagens observadas, a chance de DBNO acima do limiar foi maior nos hipertensos (OR 11,58; IC 95% 1,45 a 92,85; I² = 73,7%). Nenhum estudo comparou o DBNO à medida invasiva da PIC.
Conclusão:
O DBNO é consistentemente maior em pacientes com hipertensão aguda, com efeito robusto. Entretanto, a elevada heterogeneidade, a dependência de conversões estatísticas, a presença de um estudo discordante e a ausência de validação contra o padrão-ouro invasivo impõem cautela, reforçando a necessidade de padronização metodológica e validação específica.
Palavras-chave: Crise Hipertensiva; Nervo Óptico; Pressão Intracraniana; Ultrassonografia
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