ABC Imagem Cardiovasc. 2025; 38(3): e20250065
Papel do Ecocardiograma Transtorácico no Fechamento Percutâneo da Comunicação Interventricular
Resumo
A comunicação interventricular (CIV) é a cardiopatia congênita mais comum, e seu manejo tem evoluído com o fechamento percutâneo, uma alternativa minimamente invasiva à cirurgia. Nesse contexto, a ecocardiografia consolida-se como a principal ferramenta de imagem, indispensável em todas as fases do procedimento. O ecocardiograma transtorácico (ETT) é fundamental para o diagnóstico, classificação anatômica (perimembranosa, muscular, de via de entrada ou saída), avaliação hemodinâmica inicial e seguimento em longo prazo. A indicação para o fechamento baseia-se em critérios como a sobrecarga de volume do ventrículo esquerdo (VE), com Qp:Qs ≥ 1.5:1. Para o planejamento detalhado e a orientação intraprocedimento, o ecocardiograma transesofágico, especialmente com reconstrução tridimensional (3D), é o padrão-ouro. O ETE 3D oferece precisão na medição dos diâmetros do defeito, análise das bordas para ancoragem segura do dispositivo e avaliação da relação com estruturas adjacentes, como as válvulas aórtica e tricúspide. O sucesso da intervenção, tanto em CIVs congênitas quanto nas raras e complexas CIVs pós-infarto, depende diretamente da qualidade da avaliação ecocardiográfica. A abordagem multimodal, que integra ETT e ETE, garante a seleção adequada dos pacientes e a condução segura do procedimento, otimizando os resultados e expandindo as fronteiras do tratamento percutâneo da CIV.
Palavras-chave: Comunicação Interventricular; Ecocardiografia; Ecocardiografia Transesofagiana
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