Arq Bras Cardiol: Imagem cardiovasc 2018; 31(4): 258-269
Ligadura dos Ramos da Artéria Torácica Interna Anastomosada na Coronária Descendente Anterior e Efeito nas Velocidades do Fluxo e no Estado Funcional do Enxerto
DOI: 10.5935/2318-8219.20180049
Resumo
Fundamento
Ocorre modificação no fluxo da artéria torácica interna, após sua anastomose na artéria coronária descendente anterior.
Objetivo
Avaliar o efeito da ligadura dos ramos proximais da artéria torácica interna anastomosada na artéria coronária descendente anterior, quanto às velocidades e à reserva de velocidade de fluxo coronariano, em pacientes com fração de ejeção do ventrículo esquerdo preservada (> 50%).
Métodos
Estudo prospectivo de pacientes com fração de ejeção do ventrículo esquerdo > 50% revascularizados. O Grupo I foi formado por 25 pacientes com ligadura dos grandes ramos da artéria torácica interna antes de sua anastomose na artéria coronária descendente anterior, e o Grupo II por 28 pacientes sem ligadura. Registrou-se o Doppler em nível proximal da artéria torácica interna no pré-operatório, pós-operatório precoce e no pós-operatório tardio de 6 meses. Foram mensurados os picos de velocidade sistólica e diastólica, e as velocidades médias sistólica e diastólica. A reserva de velocidade de fluxo coronariano foi obtida durante o ecocardiograma sob estresse com dobutamina no pós-operatório tardio de 6 meses.
Resultados
No pós-operatório precoce, o pico de velocidade sistólica e a velocidade média sistólica diminuíram, enquanto aumentaram o pico de velocidade diastólica e a velocidade média diastólica nos dois grupos (p < 0,05).Do pós-operatório precoce para o tardio em 6 meses, apenas o pico de velocidade diastólica se modificou, diminuindo nos dois grupos (p < 0,05). Durante o ecocardiograma sob estresse com dobutamina, o pico de velocidade diastólica e a velocidade média diastólica aumentaram (p < 0,05), e os grupos não diferiram, mas o pico de velocidade sistólica e a velocidade média sistólica aumentaram apenas no Grupo II (p < 0,05). A reserva de velocidade de fluxo coronariano dos grupos calculada pelo pico de velocidade diastólica (Grupo I = 2,17 ± 0,64 e Grupo II = 2,28 ± 0,63) e pela velocidade média diastólica (Grupo I = 2,27 ± 0,54 e Grupo II = 2,5 ± 0,79) não diferiu.
Conclusão
Em pacientes com fração de ejeção do ventrículo esquerdo preservada, a ligadura dos grandes ramos da artéria torácica interna anastomosada na artéria coronária descendente anterior não compromete a reserva de velocidade de fluxo coronariano, mas determina limitação no aumento das velocidades sistólicas. (Arq Bras Cardiol: Imagem cardiovasc. 2018;31(4):258-267)
118
