Arq Bras Cardiol: Imagem cardiovasc. 2023; 36(2): e2023373
Evolução de Longo Prazo de Pacientes com Hipertensão Pulmonar Importante por Esquistossomose
Resumo
Introdução
A esquistossomose mansoni hepatoesplênica, associada com hipertensão arterial pulmonar (HAP), provoca remodelamento das câmaras cardíacas. Sua evolução a longo prazo é pouco conhecida.
Objetivo
Avaliar as alterações provocadas pela HAP em pacientes com esquistossomose e analisar a evolução clínica e ecocardiográfica por um período de 10 anos.
Métodos
Foram estudados 60 pacientes com HAP por esquistossomose e 50 indivíduos controle sadios. Avaliaram-se dados clínicos e ecocardiográficos como dimensões, espessura parietal e função das câmaras direitas e esquerdas e parâmetros de deformação miocárdica. Os pacientes do grupo HAP por esquistossomose foram acompanhados por 10 anos. Os dados foram comparados pelo teste t de Student para amostras não pareadas com significância < 5%.
Resultados
Os pacientes com HAP apresentavam menor dimensão do ventrículo esquerdo (VE) sem alteração da fração de ejeção, mas com diminuição do strain longitudinal global do VE e do strain de reservatório do átrio esquerdo (AE). As dimensões e espessura parietal do ventrículo direito (VD) estavam aumentadas e os parâmetros de função sistólica (excursão sistólica do plano do anel tricúspide [TAPSE], mudança da área fracional, onda s’ tricúspide e strain longitudinal global do VD) apresentaram-se significativamente diminuídos. Durante o período de acompanhamento, 18 pacientes (32%) evoluíram para óbito, condição associada com maior classe funcional (CF), diminuição do strain longitudinal do VD, maior tamanho do VD, diminuição da mudança da área fracional e da velocidade da onda s’ do anel tricúspide.
Conclusão
A HAP relacionada à esquistossomose provoca remodelamento das câmaras direitas, com diminuição dos parâmetros de função sistólica e deformação miocárdica. A evolução a longo prazo, com elevada mortalidade, apresenta-se com maiores dimensões do VD, menores valores da mudança da área fracional, velocidade sistólica do anel tricúspide e deformação longitudinal global do VD, além de CF mais avançada.
Palavras-chave: Ecocardiografia; Esquistossomose; Hipertensão Pulmonar
356

