Arq Bras Cardiol: Imagem cardiovasc 2020; 33(2): 1-8
Avaliação de Carótidas em Pacientes com Suspeita de Coronariopatia: Existe Predição Negativa?
DOI: 10.5935/2318-8219.20200023
Resumo
Introdução
Pela prevalência e pela gravidade, a doença coronariana demanda diagnóstico definitivo e precoce. Há necessidade premente de se identificarem indivíduos sob risco. O mais importante identificador de risco é a manifestação prévia da própria aterosclerose. Nesse contexto, o estudo da aterosclerose subclínica pode trazer informações essenciais.
Objetivo
Avaliar se há relação entre alterações de carótida e coronária; se a ausência de aterosclerose no leito carotídeo poderia indicar ausência de doença aterosclerótica obstrutiva no leito coronariano; e se a ausência de lesão de carótida poderia fundamentar a não indicação da coronariografia, respeitadas as características clínicas do paciente.
Métodos
Estudo observacional, transversal, analítico, comparativo. Foram incluídos 50 pacientes consecutivos, com indicação clínica para realização de coronariografia. Foi realizada ultrassonografia vascular de carótida para comparação dos resultados.
Resultados
Pacientes sem placas carotídeas avaliados pela ultrassonografia vascular não apresentaram obstrução coronariana significativa verificada pela coronariografia. Todos os pacientes que apresentaram obstrução carotídea maior do que 50% também tiveram obstrução significativa de coronária ≥ 70%. Dentre os fatores avaliados, apenas o resultado da ultrassonografia vascular de carótidas foi associado como fator de risco preditor dos achados da coronariografia (razão de chances de 2,58; intervalo de confiança 1,66-4,02; p < 0,001).
Conclusão
Houve associação positiva entre grau de lesão aterosclerótica de carótida e de coronária. Nenhum paciente sem lesão de carótida apresentou obstrução significativa de artéria coronária, conferindo alto valor preditivo negativo.
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