Arq Bras Cardiol: Imagem cardiovasc. 2025; 38(1): e20250010
A Importância da Avaliação Objetiva do Anel Mitral
Este Minieditorial é referido pelo Artigo de Pesquisa "Desempenho do Diâmetro do Anel Mitral no Diagnóstico da Etiologia Atrial na Insuficiência Mitral: Uma Análise Comparativa".
O anel mitral é uma estrutura complexa e dinâmica, responsivo tanto a alterações estruturais e funcionais que envolvem a valva mitral quanto àquelas que acometem a geometria do ventrículo esquerdo (VE) e do átrio esquerdo (AE). Sua estrutura não é circular, apresentando a forma de um feijão ou em “D”, com uma estrutura tridimensional semelhante à sela de um cavalo, na qual o nadir (altura) varia ao longo do ciclo cardíaco. A maleabilidade do anel mitral desempenha um papel importante na competência valvar. A porção posterior do anel, menos fibrótica, desloca-se durante a sístole ventricular esquerda, aumentando a altura da sela e reduzindo sua área circunferencial. Em situações de dilatação e disfunção do AE, principalmente quando acompanhadas de fibrilação atrial (FA) e comumente associadas a diversas causas de disfunção diastólica do VE, a dinâmica do anel mitral encontra-se frequentemente comprometida. Nesses casos, observa-se a redução da mobilidade do folheto posterior, rigidez do anel e menor oscilação da altura da sela, além de repuxamento valvar (tethering), fatores que contribuem para a falha de coaptação mitral.
O estudo do anel mitral pode ser realizado por ecocardiografia, tanto bidimensional quanto tridimensional, preferencialmente por meio do exame transesofágico. A imagem tridimensional permite diversas mensurações quantitativas, facilitadas por softwares computacionais de reconstrução. Essas mensurações podem ser dinâmicas, demonstrando as estruturas e modificações ao longo do ciclo cardíaco, tanto na sístole quanto na diástole (). Entre as principais medidas estão a circunferência e a área do anel, os diâmetros ântero-posterior e intercomissural, e a altura da sela. A imagem tridimensional oferece vantagens para a análise, principalmente quando é necessária a segmentação da anatomia valvar, como na análise anatômica de boceladuras valvares em casos de prolapso valvar mitral. Etiologias distintas de regurgitação mitral (RM) são acompanhadas por diferentes graus de deformações do anel mitral, sendo as mais sutis observadas em RM isquêmicas e as mais significativas, nos espectros mais avançados de doenças degenerativas mitrais, como na Doença de Barlow. Por exemplo, na doença reumática — pouco prevalente em países desenvolvidos, mas ainda bastante presente no Brasil —, o aspecto de mudança do anel mitral é caracterizado por um “achatamento do formato em sela”, com aumento de sua área, mas sem mudança significativa do perímetro.
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Palavras-chave: Ecocardiografia; Fibrilação atrial; Insuficiência da Valva Mitral
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